quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Quarenta e três: Atípica rotina

Esse texto foi escrito pela minha amiga Caroline, que já apareceu nesse blog, pois foi em sua casa que fizemos nosso chá da tarde.
Espero que vocês gostem, pois eu gostei muito.
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Depois de alguns anos vividos tudo se torna parte de uma rotina. A novidade que uma manhã pode trazer se perde nos hábitos adquiridos. Ao menos foi o que aconteceu ao longo dos meus sessenta anos.
Ontem, supostamente, deveria ter seguido um padrão, assim como nos outros dias. Entretanto, uma sensação de nostalgia aflorou dentro de mim e forçou-me a procurar uma forma de reviver minhas memórias. Bastou essa vontade para que eu transgredisse minha rotina e ousasse nos meus atos.
Comecei então a revirar os antigos móveis no escritório e lá encontrei uma agradável surpresa. Uma fotografia amarelada e rasgada devido ao descaso meu e do tempo. Nela se encontrava uma amiga de adolescência e uma figura mais jovem de mim. Nesse momento fui tomada por uma sensação libertadora e saudosista.
Eu havia vivido muitas coisas junto dela, lembro-me de quando costumávamos sair pelas ruas sem rumo e horário para voltar. Éramos eu, ela e nossas histórias, sem preocupações ou temores. Apenas a certeza da nossa amizade. Isso me encheu de lágrimas e esperança de volta àquele tempo.
Porém, em um momento de lucidez, percebi que essa época havia passado e que eu havia usufruído dela ao máximo. Eu precisava realmente dessa fotografia para lembrar que nunca é tarde para viver novas histórias. Minha idade nunca seria um empecilho. Era preciso a coragem que esse pedaço de papel me proporcionou para retomar o contato. E foi isso que eu fiz.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Quarenta e dois: Areado - Coloridos e a antecipação da primavera

Bonjour, mes amis.
Esse é o segundo e último capítulo sobre a minha viagem de julho para Areado. Para quem não se lembra, essa foi a cidadezinha que visitei junto com minha família durante as férias de meio de ano. Ela fica no estado de Minas Gerais, o meu favorito (não sei o por quê), mesmo eu tendo nascido e vivido toda a minha vida em São Paulo. Foi uma viagem magnífica, em que pude descansar bastante e sentir a natureza em mim.
Aliás, a natureza se fazia tão presente nessa cidade que ela me serviu de gancho para comemorar com vocês a primeira primavera do La Petite Souris! Fico contente pelo blog estar durando bastante tempo e me gerar um retorno tão positivo. Nunca tive isso em nenhum blog que construí anteriormente, obrigada pela atenção e carinho que vocês me dão ao ler meus capítulos e comentá-los. Desejo que por muitas primaveras mais eu encontre vocês aqui! :3
As flores mineiras são diferentes daquelas que encontro por aqui. Elas eram mais selvagens, verdadeiras flores do campo que nasciam em qualquer cantinho e coloriam a estradinha de terra que levava os visitantes ao hotel.
Essa flor tem carinha de modelo de verão, mas estávamos no inverno! Todos os dias eu fotografava uma planta diferente o que me deixou feliz a viagem toda.
Conseguiram enxergar a florzinha amarela no meio? Ela deve ser uma princesa dentre suas irmãs, já que possui uma guarda de folhas tão abundante...
Estava ventando muito e não tive como tirar essa foto sem que a minha mão aparecesse também.
E esse foi o resultado da minha expedição por Areado. Eu havia dito no meu facebook que me senti como a Anne da série Anne with an E em seu primeiro dia de aulas, haha. E foi verdade! Sempre pedia às plantas que me cedessem uma de suas flores antes de colhê-las ou pegava alguma que estava intacta no chão.
O meu chapéu voltou assim para São Paulo. Apenas quando as flores murcharam eu as tirei e limpei o chapéu para o guardar.
Eu adoro essa foto! Tanto sol, tanto vento, tanto sorriso e uma modelo envergonhada.
Bem, essa foi nossa viagem. Vocês conhecem Areado?
Au revoir.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quarenta e um: Eu não quero mais ser poeta

Bonjour. Eu estava lendo o blog da minha amiga Jenny, quando me deparei com esse tema. Ela o desenvolveu de tal maneira que me motivou a tentar escrever sobre. Espero que gostem.
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Sentado em minha sala, diante de uma jarra semi vazia de vinho, decidi não ser mais um poeta.
A poesia me tragara para suas profundezas quando eu era um menino. Filho único, meus companheiros eram as páginas amareladas de Bukowsky e Lorde Byron, rasgadas e devoradas em pequeninos cantos pelas traças da biblioteca estadual.
A poesia me encantava. Encarava-a com olhos clínicos, como a um corpo funesto conservado para a autópsia: precisava cortar-lhe o talho impenetrável e incorporá-la em mim. Li tanto, sabia de cor os sonetos de Camões, a linguagem cômica de Bocage, a sensibilidade sisuda de Bilac, que ganhei confiança em mim e decidi ser poeta para a minha vida. Ilusão perdida. Arrependo-me. Tentarei explicar-lhe as minhas razões.
A poesia mostrou-me, enfim, seu lado sombrio. Tal como na lua, foi preciso desviar-me da incidência solar que a atingia para que eu encontrasse esse seu outro lado. Tão válido quanto o primeiro, é verdade. Porém, sua imensidão vazia encontrou meu espírito perturbado, angustiando-me.
Preferi separar-me da arte poética.
Meu corpo definhava a cada dia. Eu era magro, magro como um gato sem dono, excluído dos grupos de gatos de rua que se protegiam a si mesmos nas noites frias. Em minhas costas, as costelas eram aparentes, prontas para serem pegas por Deus na construção de Eva. A coluna formava uma trilha entre minha cabeça e meu cocs e meus olhos eram como covas desabitadas prontas para serem preenchidas por terra novamente.
Os meus pulsos possuíam calos, assim como meus dedos, resultado do atrito constante com a caneta que usava para escrever meus poemas. Porém, o que mais me caracterizava nas ruas era meu cabelo. Ele era revolto, um ninho de cachos emaranhados, desconexos, descontrolados, ensebados nas pontas perto da testa pelo constante passar de mãos. Eram os cabelos de um poeta, caracóis amassados atrás pelo travesseiro de espuma do quarto. Antes de serem os fios de um poeta, eles eram a própria poesia: ondas negras, revoltas/ engolem o barco, soltas/ a caminho de Dante.
Aquele lacre fragilizado pelo exercício poético desenfreado guardava em si uma mente explosiva. Meu cérebro era uma enciclopédia orgânica cujos neurônios eram capítulos que guardavam referências de muitos séculos. Às vezes, não conseguia arranja-las nas estrofes. Às vezes, faltava coisas para preencher os versos. Minha mente era uma bacia que so se preenchia com temas para os próximos poemas que iria produzir. Não havia espaço para amores reais: aqueles que colocava em meus trabalhos eram falsos, teatrais, odes românticas a uma Musa feita de tinta e vácuo. Não havia espaço para a metalinguagem: as teorias, eu as absorvia cegamente, sem refletir sobre elas. Não havia espaço para o espaço: era um pária, minha terra era a do ostracismo opcional, não me sentia parte de nada.
E meu coração, o último organismo afetado pela poesia, era apenas destroços. Assassinado, que bela morte! Morto pelo brado retumbante de um povo heróico composto pela sociedade dos poetas mortos. As dores daquilo que escrevia, incorporava-as; a solidão, o medo, o peso da nulidade. A frustração. A saudade. Que bela palavra, saudade. Estive perdido de mim, porque era um labirinto.
Coração inexistente, reduzido a uma mísera carne estriada com sangue dentro. A poesia me reduzira às cinzas, eu era um projeto deformado de mim mesmo com uma aura de poeta aclamado. Aclamado?
Decidi abandonar a poesia. Era ela meu veneno, meu anti herói, meu yang. Destruía-me aos poucos com a velocidade de um cavalo de raça. Abandonei-a.
Joguei fora o pouco vinho que havia a minha frente. Peguei uma garrafa de uísque, duas pedras de gelo. Decidi ser jornalista.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Quarenta: No século XIX, duas amigas tomando chá

Bonjour, ça va?
Há duas semanas, eu pude viver um dos dias mais mágicos da minha vida. Foi em um sábado frio, mas extremamente esperado há, pelo menos, um mês, que eu e minha amiga Caroline realizamos um chá da tarde.
Foi um primeiro chá, tanto para mim quanto para ela, e nós não sabíamos muito bem o que poderíamos fazer. Procuramos inúmeras referências no Pinterest e em blogs especializados e, confesso, poderia ficar por horas rolando o cursor do celular, pois eram tantas fotos lindas e comidas fofas aparentemente deliciosas! Foram tantas referências que, quando começamos a montar nossa lista de comidas, creio que fizemos um cardápio para um exército, haha! É claro que tivemos que repensar, mas no final tudo deu certo e acabou que muitas comidas foram uma surpresa para mim.
Cardápio de nosso Chá da Tarde com os tipos de bebidas que poderíamos tomar no dia. O "sabor surpresa" era o chá preto.
Além de comidas, eu e a Carol salvamos músicas no YouTube para deixar tocando em nosso encontro. A escolha passou por clássicos, a exemplo da Primavera das Quatro Estações de Vivaldi, permeou por músicas da Disney, até que desembocou em uma banda incrível chamada Postmodern Jukebox que transforma músicas pops em gingados do século XX (anos 1920, 1930, 1940...). A experiência de colocar músicas de fundo foi boa, já que trouxe muitos assuntos a nossa conversa.
Olha esse mini bolo que a Caroline comprou para nós! Ele me lembrou das borrachas que são vendidas na Liberdade imitando comidinhas, hihi. A pinha ao seu lado foi minha contribuição para a decoração :3
Logo no início, fizemos o nosso rito tradicional: trocamos cartas. Como eu havia mostrado no último capítulo, a Carol tem uma linda coleção de papeis de carta que trouxe um charme a mais para sua mensagem escrita. Eu gostaria de agradecer nesse capítulo a você, Caroline, pelas palavras ternas que me escreveu e saiba que fiquei muito contente pelo olhar que você tem de mim. Desejo do fundo do meu coração que você tenha gostado da minha carta que, apesar de simples, eu escrevi sinceramente.
Bem, mas vocês devem estar pensando: E o chá?
Jogo de chá da mãe da Carol, tão delicado que fez meu coração explodir de alegria.
Claro, afinal, nossa festa foi do chá e essa bebida que alegra corações a muitos séculos foi a estrela de nosso encontro. Os chás foram diversos e o que mais gostei foi o de frutas vermelhas que nunca havia provado antes. Contudo, primeiras experiências com chá nesse dia não foram plenamente felizes, afinal, foi a primeira vez que tomei o chá preto. Meu Deus, eu tentei de tudo, mas não gostei. Não gostei e espero nunca mais tê-lo que tomar... Você, mon ami, gosta de chá preto? A maior dó que eu senti foi que o saquinho de chá preto estava pregado nessa bonequinha russa bonitinha, pois ela é tão simpática para eu não gostar de seu conteúdo...
Um ofurô ou uma xícara de chá preto?
Foi um dia maravilhoso, como eu disse, e que rendeu muita conversa boa, nostalgia, amor entre amigas e um estômago cheio e feliz. No começo, tentamos ser classudas, a fim de parecer que éramos damas da sociedade londrina nos encontrando em uma tarde amena para trocarmos palavras. Mas, no fim, o peso de nossa longa amizade rompeu com as formalidades e deu espaço para muitos gritinhos, risadas e "começa você" quando um assunto qualquer se esgotava.
Foi incrível e desejo repetir o encontro com todas as minhas outras amigas agora.
Adieus.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Trinta e nove: Uma caixa de amor

Bonjour, mes amis!
O capítulo de hoje é muito fofinho e me deixou nostálgica e contente por realiza-lo: eu irei mostrar a minha caixa de cartas! É isso mesmo, eu possuo uma caixa de cartas, aonde eu coloco todas as cartas que as pessoas queridas enviaram para mim, desde quando eu era pequenina até hoje, mais recentemente no sábado em que visitei minha amiga para um chá da tarde (em breve, um capítulo inteiro sobre esse dia especial).
A caixa é simples e está ficando pequena, porque também guardo nela convites, ingressos de exposições, pulseirinhas de hotéis para os quais viajei, livretos, enfim, muitas lembrancinhas que me marcaram. Um dos meus maiores desejos é ter um baú de madeira, exatamente para que essas lembranças fiquem guardadas de maneira mais confortável e que eu possa guardas outras mais.
No topo, coloco as cartas que são mais bonitas esteticamente, contudo não mais ou menos importante do que todas as outras que eu ganhei nesses anos. Adoro papéis de carta, algo que a Caroline, a anfitriã do chá da tarde e minha amiga de longa data, já percebeu. Foi ela que me escreveu cartas nesses envelopes gracinhas de gatos e de carrossel, além de fazer o menu do chá como vocês podem ver lá atrás.
 Os detalhes do envelope são de pular de alegria, são tão fofinhos! Gosto bastante do tema musical mesclado aos cavalinhos do carrossel, o que dá a carta um tom de caixinha de músicas antiga.
No topo da minha caixa de cartas também está o cartão do Pequeno Príncipe que eu ganhei dos meus pais de aniversário no ano passado. Nos corações vinham pequenas trufas que, após eu terminar de comê-las (delícia), preenchi com pequenas estrelinhas coloridas para dar um charme. A mensagem que vem dentro é do próprio Exupéry, a frase icônica da raposa sobre o cultivo das amizades. Agora que eu me apaixonei pela história do livro, o cartão ganhou uma carga sentimental positiva ainda maior.
Talvez, vocês estejam curiosos para ver as cartas que estão por baixo dessas e que são a segunda linha mais bonita dentre todas que eu tenho. Voilá:
São cartões de Natal. pois essa é a minha data comemorativa favorita! O de laço verde eu ganhei no Natal passado de outra amiga querida e o de baixo, com cachorrinhos perseguindo o Papai Noel, também foi presente dos meus pais nessa época.
Eu adoro receber e escrever cartas realmente. Sinto-me em outra época, além de gostar das sensações que esse gesto provoca: sentir a ansiedade pela vinda do carteiro, abrir o envelope, ver quem me enviou, ler a carta, sentir-se bem por ser querida para a pessoa que gastou algum tempo de sua vida para me escrever... Cartas são maravilhosas! 
Espero receber muitas outras até o fim desse ano. 
Au revoir...

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Trinta e oito: A inspiração trovadora, um poema inicial

Pintura de Ruth Sanderson - As doze princesas bailarinas
Bonjour, ça va?
Apesar de estar um pouquinho envergonhada, deixo aqui o meu primeiro poema para a seção "Contos Particulares". Ele foi inspirado no trovadorismo medieval, época em que muitos poetas dedicavam seus poemas as meas senhoras, nobres da época. O eu lírico do meu poema é um trovador como esses... Seu nome, sua idade, quando ele viveu?
Respostas virão se vier outro de seu trabalho.
Espero que gostem...
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Senhora de olhos azuis e boca vermelha
Senhora que abre um sorriso de pérolas do mar
Senhora que solta fagulhas do coração, centelhas
Senhora que encheu meus olhos e decidi amar.
Senhora de lisos cabelos, em pontas duplas terminam
Senhora sabida de tudo e do destino
De muitos viajantes solitários, peregrinos
Quantos, Senhora, neste instante te amam?
Senhora de roupas douradas que roubam o brilho
O viço, o compromisso e a dor
Quais são dos seus sonhos, o sabor?
Quais são os meninos que roubaste os corações andarilhos?
Senhora da mente confusa e de alto intelecto
Senhora que gasta canetas e canetas
Para registrar, de sua vida, o aspecto
A bela face, o martírio, as caretas.
Senhora, menina, jovem mulher
Devoradora de futuros com preciosa colher
Levanta-te de teu austero trono
Fiapos, farrapos trançados e cromo
Levanta-te, Senhora, e me ouça já
Por seus olhos e sorriso, decidi te amar
Racional, Senhora, foi minha decisão
Por que decidistes roubar meu coração?

domingo, 6 de agosto de 2017

Trinta e sete: Toc, Toc - Duas construções e um desconstruído

Bonjour, ça va?
No trigésimo sétimo capítulo do blog, eu inauguro a seção "Toc, Toc", um pequeno momento em que compartilho com vocês as lindas aquisições que eu fiz em algum instante da minha rotina. O uso da expressão "Toc, Toc", lembra alguém batendo a minha porta, algo que eu adoraria que os carteiros fizessem em minha casa, mas que é impossível, porque moro em prédio. Fica o desejo de que isso aconteça um dia. A cada começo de capítulos especiais dedicados ao "Toc, Toc" eu começarei os textos com "Bonjour, monsieur facteur" que significa "Bom dia, senhor carteiro" em francês, língua que abracei no La Petite Souris. Como esse é o primeiro post assim, tive que fazer essa pequenina introdução, mas nos próximos será direto, não se preocupem!
Então vamos lá?
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Bonjour, monsieur facteur, ça va?
Hoje, as minhas três aquisições são literárias e, como foi sugerido no misterioso título do capítulo, dois livros são livros que eu chamo de "construtores" e o outro, bem, não há mais derrubadas de bom senso e sisudez do que ele proporciona.
Começarei pelos livros "construtores". Mas, como seriam livros assim?
Livros "construtores" são aqueles que auxiliam na formação do caráter do ser humano. São aqueles livros que nos ensinam a sermos pessoas melhores, enxergarmos o outro e seus anseios, sermos bondosos, corajosos, amigos, acreditarmos em nossos sonhos e nunca deixarmos de acreditar na Magia que paira pelo mundo.
O primeiro, eu já falei sobre ele aqui no blog. É "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry. Sim, eu dei uma chance para ele e, obrigada Senhor, por eu ter dado. Esse livro tornou-se um dos meus livros de cabeceira, aqueles que guardo na estante do meu coração e que eu levaria para uma ilha deserta para reler e reler, até esperar fielmente que o Pequeno Príncipe aterrissasse nessa ilha para me fazer companhia. Eu prometi fazer uma resenha desse livro em um próximo capítulo, assim como farei dos outros livros que monsieur facteur me trouxe, então aguardem por mais opiniões.
O segundo, é um livro que estava na minha wishlist desde que eu tive conhecimento dele e de sua história, e é "A Princesinha" de Frances H. Burnett. Eu estava passeando pelo site da Saraiva e percebi que os livros estavam com promoções boas, assim eu corri para ver se "A Princesinha" também estava nessa lista. E... estava! Que alegria, meus irmãos (nunca mais escreverei ou direi essas palavras sem me lembrar do Alex de Laranja Mecânica), quando soube disso e pude compra-lo!
Quando o livro chegou, encantei-me ainda mais pelo carinho da edição da Editora 34 recheada de belíssimas ilustrações de Tasha Tudor e com uma capa envernizada que valorizava ainda mais o livro. Além de "A Princesinha", tenho o volume de "O Jardim Secreto" editado pela mesma editora, o que me deixa contente e com vontade de comprar mais livros de lá. Quem sabe?
O terceiro livro, mas não menos importante e sim por ordem de leitura, foi o livro desconstruído. O livro de poemas de Tim Burton, "O Triste fim do pequeno Menino Ostra", um baldinho recheado do mais puro ouro para quem, assim como eu, é fã dos trabalhos do diretor americano.
Eu soube da existência desse livro pelos vídeos da Melina e comecei a dar gritinhos estridentes de alegria por ele existir e por ter um preço acessível. A edição da editora Girafinha contenta os meus olhos de fã, tanto pela escolha do material de impressão que sustenta as ilustrações de Burton muito bem, quanto pelas escolhas de posicionamento texto-imagem e pela capa, lindinha e simples, mas que reflete bem o mundo desse diretor.
Como eu farei a resenha de todos os livros que citei nesse capítulo, não darei muitos detalhes deles aqui. Queria dizer apenas que estou muito feliz por ter criado essa seção no La Petite Souris e desejo que vocês também.
Beijos.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Trinta e seis: Areado - Absorvendo novas paisagens

Bonjour, ça va?
Esse mês eu pude novamente viajar para uma cidadezinha do interior, aproveitando as férias da minha faculdade. O destino, dessa vez, alterou-se um pouquinho em relação às últimas viagens. Ao invés de eu ir para o interior do meu estado, São Paulo, eu fui ao interior de Minas Gerais em uma cidade chamada Areado, conhecida por sua represa e por ser a Terra do Biscoito (de polvilho, hmmm).


Quem acompanha o La Petite Souris talvez tenha percebido que eu adoro cidades pequenas e bucólicas. O meu sonho, aliás, é ter uma casa em uma dessas cidades, aquela que conquiste o meu coração, e morar definitivamente por lá. Mesmo eu tendo nascido na grandiosa capital de São Paulo, sinto que não me encaixo muito bem nas rotinas daqui, pois prefiro algo mais calmo, aconchegante e próximo a natureza. Daí, também me encanta a praia, mas talvez não para morar.
Voltando a minha viagem por Areado...
O hotel em que nós ficamos era bem afastado da cidade de Areado. O que nos permitiu ficar mais tempo nele do que passeando, ao contrário do que aconteceu quando fui a Lindoia que tinha muitas cidades próximas para serem exploradas. Então, eu pude passar bastante tempo fotografando a natureza linda que havia por lá. Essa é a primeira parte dos capítulos que dedicarei no blog a minha viagem de julho por solos mineiros, espero te ver por aqui acompanhando todos os Passinhos da Ratinha por esses posts!


Esses são os bois e vaquinhas que, a bem da verdade, eram os verdadeiros moradores dos campos de Areado. Podíamos andar nas estradas que levavam as fazendas que tinham muitos e muitos bois e vê-los fazendo, bem, o que os bois fazem em seu dia a dia. O mais legal era que, como as cercas eram baixas, eles pulavam e invadiam as estradas para comer, então era bem comum termos que esperar eles saírem de lá para que continuássemos o nosso caminho.
Apesar de ter olhado para a câmera nesse momento, eles eram bem antifotogênicos e apenas esperavam nós nos aproximarmos para olhar bem e virar. Eita como meu pai ficava bravo quando isso acontecia, haha.


A Represa de Furnas, como eu disse acima, é um ponto turístico bastante marcante na cidade de Areado. Nela, os moradores pescam. Há afirmações de que nessas águas existem peixes como o Tucunaré, o Dourado e criadores de Tilápias que fomentam a economia de lá, permitindo diversas lojinhas que vendem esses peixes já limpos para os turistas. Mas, além da pesca, Furnas também permite que viajemos por suas águas de barco, o que nós fizemos em nossa viagem! Toda a situação foi bem engraçada, pois o dono do barco se atrasou para nos levar, então minha família e mais outros hóspedes do nosso hotel fomos caminhando, caminhando, caminhando até pararmos em um ponto com águas mais fundas que supomos ser o lugar em que o barco zarparia. Só que pertinho do lugar havia uma colônia de urubus voando e pousando, o que atraiu a atenção de todos e deixou a espera mais divertida. Ah, e também em Furnas existem capivaras que, infelizmente, não vimos na semana em que ficamos por lá, mas garanto que elas existem.


Por fim, essa é a foto do brejo que existia mais acima do nosso hotel. Juro que aguardava ansiosamente para ver um sapo, mas nenhum apareceu pela manhã em que fomos passear nessa região. Nós estávamos indo em direção ao Pesqueiro do Seu Nelson que daria uma festa junina (ou melhor, julina) à noite para que decorássemos o caminho. Não adiantou muita coisa, pois o pesqueiro era muito mais longe do que esperávamos, mas valeu para conhecermos esse brejo e as vaquinhas da fazenda de milho de lá.
Bem, por enquanto é só. Aguardem pelos próximos capítulos em que comento mais de minha viagem, mostrando as flores que encontrei por lá e as minhas impressões finais.
Beijos açucarados.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Trinta e cinco: Uma segunda chance para Exupéry

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Todos os livros que comprei ou peguei emprestado em minha carreira de leitora voraz foram escolhidos a dedos por mim. Esse é um dos motivos pelos quais todos os livros da minha estante são tão queridos para mim: cada um tem uma história particular e especial.
Mas, nem sempre acertei em minhas escolhas.
Há livros que comprei pensando em uma história, mas no final o enredo se mostrou completamente diferente do que esperava. Esse é o caso de Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas.
Há livros que são aclamados pelos leitores de clássicos, mas que eu não gostei, mesmo relendo-o após alguns anos. Esse é o caso de As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift.
Há livros que tem uma capa linda e uma premissa interessante, mas que se mostra um livro clichê e mal explorado. Esse é o caso de A Maldição do Tigre de Coleen Houck.
Infelizmente, esses livros que descansam nas prateleiras da minha querida estante não me agradaram em muitos aspectos. Não significa que eu os colocarei no ostracismo eterno e nunca mais darei uma chance a eles, não! Eu sempre ofereço uma segunda chance aos livros que, no primeiro impacto, me afastaram de seus segredos. E é por isso que estou relendo O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.
Sim, fiquem chocados, meus bons amis. Desde os meus seis anos, nunca mais reli o clássico maior da literatura infanto-juvenil chamado O Pequeno Príncipe, pois eu reforçava em meu coração a primeira opinião que tive dessa obra basilar.
A minha primeira opinião?
Bem, o texto me era muito árduo. As palavras embolavam em minha visão como pedras pontiagudas que não permitiam que eu alcançasse a mensagem que elas carregavam. Deixava-me triste não entender as metáforas, não captar toda a magia que os outros inseriam no pequeno livro. Por isso, desisti de o ler. Sim, desisti. Devolvi o exemplar que havia pegado na biblioteca no outro dia e rotulei O Pequeno Príncipe como um livro superestimado. Na verdade, eu o subestimei. Retrato-me agora.
Nas primeiras páginas que li, entendi finalmente o peso que Exupéry insere a cada parágrafo de sua obra. Desejo realmente que eu me encante tanto ao chegar as suas páginas finais.
Quando terminar, resenharei aqui no blog.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Trinta e quatro: O orgulho Lufano

Hufflepuf
Arte: Emily Corene



Bonjour, ça va?
O mês de julho possui duas datas especiais em meu coração: as férias tão esperadas, que traz consigo descanso e descoberta de novos lugares, e o aniversário do bruxinho inglês mais famoso do mundo, no dia 31 - Harry Potter.
E, para comemorar a segunda data julina, nada melhor do que contar a minha experiência com a saga de J.K Rowling nesse capítulo do La Petite Souris, mais precisamente sobre a minha tortuosa aceitação da escolha do Chapéu Seletor quanto a minha casa de Hogwarts, a Lufa-Lufa. Vamos lá?
Eu conheci Harry Potter por meio dos filmes. Como não nasci em uma época em que poderia acompanhar a série e crescer com os personagens, o meu amor por HP não transborda meu coração como ocorre com Percy Jackson, mas, ainda sim, me enche de animação quando entro novamente no universo da saga.
Assistia aos filmes, inicialmente, pela transmissão (quase semanal :P) deles no SBT. Minha mãe adorava (ainda adora) os filmes e eu cresci com boas doses dele. Mas, a minha fanzice surgiu quando eu assisti ao último filme no dia da estreia no cinema. Nesse momento, percebi o quão divertido eram os filmes e que universo complexo e fascinante que a escritora havia criado. Não tive dúvidas: comprei os livros, mês a mês, e terminei de lê-los em pouco menos de meio ano. Nessa época eu tinha catorze anos, digamos que HP foi o meu rito de passagem do ensino fundamental ao ensino médio, pois ele me acompanhou nos últimos meses do nono ano.
Enquanto lia os livros, J.K Rowling lançou o site Pottermore, alegrando todos os corações potterianos do mundo com a possibilidade de explorar o mundo bruxo e receber conteúdos exclusivos que não estavam nos livros originais. É claro que isso também me atingiu e eu fiquei super animada para saber qual era a minha casa de Hogwarts. Qual foi minha surpresa quando o teste do Chapéu Seletor me levou a Lufa-Lufa!
Ah, mes amis! Eu fiquei transtornada, creio. Eu queria porque queria entrar na Sonserina, afinal, eu sempre gostara de vilões e todo o ambiente ambicioso e maléfico que a casa mostrava nos filmes e nos livros me atraía. Refiz o teste, percebendo todos os macetes para me encaixar na Sonserina. Consegui, é claro. Mas, ao longo do tempo, percebia que a manipulação que eu causei não estava certa...
Eu era lufana. Não poderia me desviar de minhas próprias características que eram tão evidentes a qualquer um que conversasse sobre Harry Potter comigo. Re (re) fiz o teste do Chapéu Seletor novamente e, claro, deu que eu era da Lufa-Lufa. Decidi aceitar o meu destino.
Aí, surgiu Animais Fantásticos e Onde Habitam.
Newt Scamander in the Hufflepuff Common Room (+ the niffler and picket because I like to imagine they all knew each other way back then)
Newt Scamander no salão da Lufa Lufa <3
Antes de apresentar o universo bruxo americano, Animais Fantásticos e Onde Habitam é uma ode ao orgulho lufano! Todos se apaixonaram por Newt Scamander e, consequentemente, descobriram todas as qualidades da casa semi-figurante de Harry Potter e, aqueles que se escondiam por serem lufanos, após assistirem ao filme, decoraram todas as suas redes sociais com amarelo e preto.
Eu também, obviamente. La Petite Souris me permite ser o mais sincera possível comigo mesma em qualquer ponto da minha vida. Confesso que só após Newt Scamander me cativar com a interpretação fofa de Eddie Redmayne é que me orgulhei de ser lufana e busquei por mais informações da minha própria casa.
O orgulho e a fascinação aumentavam mais e mais a medida em que lia sobre a Casa. Tantos Ministros da Magia que eram lufanos e fizeram crescer o meio bruxo positivamente! Tantos bruxos amigos da natureza e dos animais que pertenceram a essa Casa! O ideal de Helga HufflePuff em acolher todos os bruxos que gostariam de estudar em Hogwarts sem fazer distinção me orgulhou ainda mais.
Hoje, tenho plena certeza de que faço parte da família Lufa-Lufa. E me orgulho disso com muito carinho. E você? A qual Casa de Hogwarts pertence?
Beijos açucarados.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Trinta e três: Em uma noite estrelada de verão

Bonjour, ça va?
O capítulo de hoje é sugestão da querida miss Bia que me indicou continuar o texto três no capítulo trinta e um do La Petite Souris. Espero que todos gostem :) e se quiserem, mandem sugestões de temas para as próximas histórias ou capítulos do blog pelos comentários!
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As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca. Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem.
Ana aproximava-se de onde eu estava sentado. Era um banco branco de madeira que ficava perto do lago dos patos no parque central de nossa cidade. Estava lá há algumas horas, esperando-a. Havíamos combinado às duas da tarde, era cinco.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Trinta e dois: Há dois passos

Ilustração de Beatrix Potter
Havia duas pessoas que conversavam. Os dois se conheciam há anos, eram da mesma família. Um era membro de verdade. O outro, agregado. Ambos não se davam conta de suas posições dentro da instituição.
Um era moreno. Olhos azuis. Gabava-se do fato, já que alguns de seus irmãos não possuíam o gene que possibilitava possuir o céu no olhar. Na verdade, seus olhos eram mais como o céu que antecede uma tempestade. Eram azuis escuros, fulminantes. Zeus teria seus olhos se os gregos tivessem utilizado uma tinta mais duradoura.
O outro era calvo. O pouco de cabelo que cingia suas orelhas felpudas era branco já. Aquilo que se destacava em seu rosto, entretanto, não era a calvície e nem as orelhas de Rapunzel. O que mais chamava a atenção era o seu nariz. Alguns diriam que o seu formato era adunco. A bem da verdade, o seu nariz parecia uma letra L no meio da cara. Um L gigantesco, cheio de porosidade e batatudo. Quando ria, parecia que seu nariz era uma dançarina do ventre robusta.
Os dois conversavam. Já se conheciam há anos. O Outro havia carregado o Um no colo quando Um era bebezinho.
Nesse instante, um e outro não se respeitavam mais. Ninguém lembrava dos dias de infância de Um. Ninguém se lembrava de como Outro era ótimo em pife, mas sempre deixava que Um ganhasse para ficar contente.
Eles estavam brigando. O motivo já havia se perdido com tantas ofensas trocadas, tantos olhares raivosos e pequenas gotículas de saliva disparadas no calor da língua chicoteando. O tiro em Sarajevo era algo irrelevante quando os ânimos já estavam exaltados há muito tempo.
Um e outro haviam se desentendido por causa de futebol.
Há motivo mais brasileiro do que o futebol? Talvez, Caim fosse palmeirense e Abel, corintiano. Quem sabe Troia e Grécia fossem nomes de torcidas organizadas da Antiguidade? Tudo seria possível se Caim, Abel, Troia e Grécia tivessem nascido em solo tupiniquim.
Um e outro brigavam por causa de um título mal resolvido. Quem ganhou? O meu time ou o seu?
Atritos. As pessoas que estavam ao redor trocavam olhares. Afastavam qualquer coisinha de perto de um e outro: cadeiras, mesa, bibelôs, clipes de papel... Sabiam que quando o assunto era futebol, o melhor a se fazer era esperar a poeira abaixar.
A rusga estava se arrefecendo. As mãos paravam de girar em 180º e começavam a se balançar na direção de um e outro, prontas para um abraço ou mesmo um aperto de mão. Os olhos, tanto o castanho sem graça de outro quanto o azul faiscante de um, começavam a desviar a rota direta e fulminante. As vozes desciam três tons e já não espirrava mais as gotículas de saliva de seus lábios.
Estava quase terminando.
Um e outro aceitaram que o título de 19** havia sido de Outro. Deram-se as mãos. As lembranças antigas voltavam, o pife, a infância de um...
Fim da briga. Fim da festa.
Fim do encontro.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Trinta e um: Textos inacabados... Quer que eu termine algum?

Bonjour, ça va?
Como todas as pessoas que adoram escrever, eu tenho, em minha gaveta de cabeceira, um caderninho com diversos textos inacabados. Por falta de inspiração, por falta de tempo, por falta de vontade. Infelizmente, textos que poderiam se tornar grandes obras da literatura (hihihi) estão guardadinhos entre capas rosas com estampa de coelhinho.
Porém, decidi compartilhá-los com vocês hoje. É a sua tarefa me dizer qual, entre três, devo desenvolver no próximo capítulo.
Vamos lá?
TEXTO 1
"O vento lá fora está tão forte que chega a uivar. A tempestade chegou. Aqui, ela anuncia os dias de sol que se fazem permanentes no verão e ilumina a alegria dos habitantes da Terra.
A tempestade durará a noite inteira, já é sabido. Os pingos grossos de chuva baterão nas plantas, curvando-lhes as folhas, penetrando no solo e alimentando suas raízes, assim, permitindo-lhes ganhar forças e viver.
Os animais, assustados, escondem-se velozmente a fim de protegerem seus pelos, penas e carapaças da inundação a porvir. O senhor Afonso..."
TEXTO 2
"Os arabescos azuis consomem minha paciência. Curvas intercaladas por círculos que se unem formando uma flor. Duas. Três. Quatro. O plano acaba. O sino toca.
Há dois dias eu não durmo."
TEXTO 3
"As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca.
Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem."
E então, mes amis? Qual devo desenvolver?
Beijos açucarados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trinta: Um lugar que chamarei de lar

Ilustração não identificada após pesquisa no Bing


Bonjour, ça va?
Estava olhando a lista dos blogs que eu sigo, nessa semana, quando percebi a coincidência de dois deles (queridíssimos para mim) tratarem do mesmo tema: o ambiente ideal para chamarmos de lar. Esse tema me chamou a atenção de tal maneira que decidi aborda-lo aqui também. Qual ambiente eu sonho como ideal para instalar o meu lar?
Bem, comecemos então.
A minha casa seria térrea e formada em sua maior parte por vidros grandes. Adoro a sensação do sol se levantando pela manhã e banhando o chão de madeira aos poucos. Quando era pequena, gostava de brincar de acampamento dentro do nosso apartamento e, às vezes, quando a cortina estava para lavar, a janela ficava vazia e trazia a luz da manhã para a sala aonde eu estava. Era uma sensação maravilhosa.
As cortinas floridas e com xale por cima apenas emoldurariam a minha visão. A coisa mais rica que eu teria seria uma cortina na cozinha, coisa que eu nunca me lembrei de ter.
Uma sala bem grande, uma sala de jantar, um banheiro, uma cozinha grande também estariam no térreo. No andar superior, quatro quartos, porque quero ter três filhos, uma sala de estudos e uma biblioteca. A biblioteca deverá ser grande para abrigar os nossos infinitos livros.
Uma escada em espiral que conecte os dois mundos. Ficaria cheia de folhas e frutinhas perto do Natal para atrair o bom velhinho.
Ambientes decorados com o que enche de alegria o meu coração. Muitos quadros com os meus bordados e um painel para os desenhos das crianças. Vasos com flores da estação em todos os lugares, baús nos quartos para guardar as lembranças de cada um, bibelôs que nos lembre de momentos felizes. Uma estante na cozinha que guarde a minha louça e panelas. Um fogão enorme que caiba um chester também grande no Natal e qualquer outra comida que eu queira fazer. Cestas com cobertores mais finos para usar na sala nos dias de inverno.
Coisas assim.
Um jardim na frente com flores que se abram em diferentes estações. Um caminho para chegar a porta da casa.
Atrás, um ambiente mágico. Mais um jardim, dessa vez com uma horta junto com plaquinhas indicando cada planta. Uma mesa com cobertura para sempre comermos quando os dias estiverem com um clima bom, a noite e de dia. Um caminho que leve a um ambiente de lazer com balanço, pufes, mesinha de centro que seja o apoio do livro do mês, além de guloseimas para encher o tempo que se estenderia pela eternidade.
Acho que esse texto está ficando um pouco extenso. Paro por aqui.
E você, como gostaria que sua casa fosse?

domingo, 21 de maio de 2017

Vinte e nove: A natureza que atravessa o meu caminho

Uma das coisas que mais me deixam contente no meu dia a dia é encontrar a natureza que margeia o meu caminho.
Todos os dias, saio de casa e olho para a lua que se despede de mais um dia de trabalho e dá um aperto de mão no sol, pronto para iluminar o dia em recomeço. Desde esse momento, a sensação calorosa no meu coração explode, pois tenho a certeza de que a natureza se abrirá para os meus olhos ao longo do dia. E isso se faz verdade toda semana.
No caminho até a minha universidade, olho pela janela do transporte publico abarrotado da capital de São Paulo e não vejo a poluição, não vejo os problemas de mobilidade, não vejo o cinza do concreto reinante mais. Vejo os raios solares apontando no horizonte, ouço o som longínquo de algum pássaro bravo que sobrevive em uma selva diferente, vejo as nuvens se transformando em formas que apenas nossa imaginação consegue distinguir.
Então, chego ao meu destino e, ah, não há palavras na flor mais jovem do lácio que sejam capazes de descrever a incrível sensação que eu tenho com a natureza que ambienta a minha universidade!
Existem árvores de diferentes tipos que sombreiam o caminho. Dentre elas, árvores que dão flores multicoloridas, árvores gigantes que possuem raízes sobressalentes, árvores pequeninas que servem para passarmos a mão e sentirmos minúsculas folhinhas roçando nossa pele. As que gosto mais são os pinheiros que enchem o solo com tapetes espinhosos de pinhas. Trago para a minha casa essas pequenas lembranças que os pinheiros emitem, pinhas de vários tamanhos, que envernizo e enfeito a minha estante, tornando o meu quarto mais aconchegante.
As flores, fotogênicas flores, colorem os dias que parecem cinzentos com o ar da manhã. Além de modelarem perfeitamente para a minha câmera, atraem para o ambiente universitário insetos polinizadores que enchem o ar com sons maravilhosos.
Não só existem insetos pelo meu caminho, não. Há animais por lá, pássaros, mamíferos e répteis. Existem capivaras perto do lago que corta o campus. Existem lagartos que arrepiam os transeuntes desavisados que correm para almoçar antes do meio dia. Existem pássaros, mil e um pássaros, que moram nas árvores e encantam com seus cantos diversos. Os pássaros, unidos, fogem também do predador gavião que plaina acima das copas.
O chão é rico em natureza. Flores, folhas secas, folhas recém caídas das árvores, formigas, besouros, frutas maduras. Piso e me sinto bem. Piso e me sinto em contato com um ambiente tão distinto do que se esperava encontrar em São Paulo. Piso, piso, piso.
Olho para cima e o sol aquece o meu rosto. É uma sensação maravilhosa.
A natureza que atravessa o meu caminho.

sábado, 6 de maio de 2017

Vinte e oito: Mensagem de retorno ao retorno de vocês

Ilustração Two Bad Mice

Bonjour, mes amis!
Nos capítulos anteriores do La Petite Souris, eu mergulhei em um mar de contos particulares que mostrei a vocês no nosso jardim secreto. Estava em um bom momento de escrita criativa adicionada com tempo para escrever, o que me deixou empolgada e muito contente por fazer algo que eu adoro de paixão.
O retorno de vocês, meus amigos, foi um gás extra para mim! Ah, nunca imaginei que um dia um blog meu teria tanto retorno de leitores! Isso me deixa animada, motivada e realizada, portanto, peço que sempre que puderem, comentem nos capítulos, por favor.
Enfim, como vocês gostaram dos meus contos, prometo que escreverei sempre eles por aqui. O dia para sair contos será as quintas-feiras, o meio da semana que também é o meio entre sábado e terça-feira, os dias em que saem novos capítulos por aqui.
Então, não percam, ein?
Obrigada por tudo, meus leitores queridos.
Desejo um dia mágico a vocês com muito amor e paz.
Beijos açucarados.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Vinte e sete: Primeiro de Maio

Os seus pensamentos eram revolucionários.
Tinha 19. Tinha roupas de marca surradas pelo tempo. Tinha um cabelo cheio, tinha uma barba por fazer. Tinha um quarto no segundo andar do apartamento de seus pais.
O seu quarto era grande. Um guarda-roupa cheio de camisetas xadrez e calças jeans. Uma cama de casal com lençol azul royal. Na cabeceira, Marx, García Marquez, Pagu. No som, ao lado, o play reavivaria a voz de Renato Russo. Ele era tão jovem.
Uma estante cobria a parede a frente de sua cama. O peso dos livros curvava as placas brancas de madeira da estrutura. Fazia faculdade, passava mais tempo no grêmio lutando por seus ideais. A estante possuía livros que queria esquecer, mas não queria se desfazer, Hemingway, Disney, Barrie.
Tinha um videogame. Tinha dois meses de francês, inglês na cabeça, português na alma. Tinha porta-retratos com fotos de seus pais vestidos para o ano novo. Foi nesse ano que descobriu ser um menino politizado, reclamado pela revolução.
Desde então, comprara revistas, buscara por blogs, ouvira programas de rádio. Desde então, mudara de vida, virara vegetariano, vira as pessoas com quem cruzava nas ruas. Desde então, participara de reuniões, discutira com os irmãos por tentar mudar seus pensamentos. Ficara de castigo: quebrou a cabeça da boneca Barbie da sua irmã mais nova e colocou-a em um palito de churrasco com um papel colado nele: Contra a intromissão cultural alienante no Brasil!
Tinha 19. Olhava feio para quem o acusava de ser hipócrita por consumir produtos estrangeiros. Tatuara, então, em seu braço, o poema de Pignatari. Pare. Respire.
Era primeiro de maio. Saíra cedo de casa, feriado. Tomou banho, pôs uma roupa qualquer, calçou seus sapatos de sair. Combinou uma reunião com seus colegas no centro de São Paulo para discutir pontos de reforma da faculdade. Lá, um palanque, vários trabalhadores, um carro de som.
Primeiro de maio.
Olhou para os seus amigos. Decidiram participar. Ao ouvir as propostas do orador, gargalhou, aprovou! Reforma social, melhoras para as classes mais pobres, fim de muitos impostos, reforma agrária!
Muito barulho, muita aprovação. Os seus colegas colocavam broches que ganharam dos organizadores em suas camisetas bem passadas.
Ele se sentia estranho, saudoso, pensava em sua família, sua namorada.
Ele se sentia orgulhoso, fora um bom menino. Um bom menino. Os pais sabiam que aquilo era coisa de jovem, já haviam lutado por muitas coisas quando tinham a mesma idade do filho. Os irmãos, sabia que amavam ele, adoravam sua ajuda nas redações, adoravam seu espirito livre. A namorada...
Menina loirinha, alta, olhos azuis. Beleza americana, era cubana. Seus pais eram brasileiros, mudaram-se de novo para o Brasil há cinco anos e abriram um restaurante típico. Amava-a muito, ela o venerava secretamente. Feminista, comunista, alma irmã.
Ele se sentia estranho. Olhou pros amigos comemorando seus pensamentos sendo exteriorizados pelo orador do palanque. Adorava aquelas pessoas que havia conhecido há tanto tempo na escola particular. Olhou para suas mãos suadas, no pulso, um relógio. Marcava duas horas.
O som de cascos de cavalo se fez ouvir. Tiros. A polícia se aproximava, indício de baderneiros entre o grupo. Bancos na Paulista haviam sido quebrados, agora lojas na Sé. Tiros. Gritos, pisoteio, áudio de jornalistas nas calçadas circundantes. Os amigos correram, chamaram-no. Uma mulher passou em sua frente, uma arma apontada para si. Pulou em sua frente.
Vazio. Sem som nenhum além do sangue em seus ouvidos.
Caiu.
Passou a mão em seu peito, um buraco. O sangue escorria de seus ouvidos e ia para a garganta frágil sem amídala. Sufocava-o. A mulher estava ao seu lado chorando com um celular no ouvido. Repórteres começaram a cerca-lo, microfones na mão, canetas de tinta preta furiosas nos blocos de anotação.
O sangue chegou em seus lábios, colorindo-os com a cor que representou por tanto tempo o que tinha na mente e na alma. A mulher curvou-se sobre ele e pôs a mão em sua nuca. Falou algo. "Está tudo bem. Você vai ficar bem".
Ele sorriu, os dentes de baixo tortos que nunca consertou cobertos pelo liquido viscoso tipo A. Rh positivo.
Os seus olhos foram cobertos por uma película embaçada. Sentia-se leve, em paz.  Queria dormir.
Dormiu.

sábado, 29 de abril de 2017

Vinte e seis: Um vento por entre as pérolas

Uma risada desconexa, fora de hora.
A sua risada era escandalosa. Os homens com quem trabalhava diziam que era vulgar, as mulheres que era brusca. Bruta. A fuga de uma alma assustada.
Os lábios se escancaravam para revelar dentes alvos e retilíneos. Tudo começava nesse ponto, a boca se abrindo lentamente a espera do tempo em que ninguém na sala o olhava mais. As trinta e duas pérolas fechando-lhe a garganta, bloqueando o ar cadenciado que suas cordas vocais em alguns segundos soltariam.
O tempo correto. Três, dois, um... Olhares espantados, protocolo corrompido. Todos o olhavam agora.
Ele fecha os olhos. Aproveita o momento. Abre.
O seu subconsciente decreta a morte da bailarina leviana. Uma visão pela sala capta as trocas de olhares entre seus companheiros... Parece que todos estão se acostumando com a risada peculiar que ecoa pelos sofás de couro marrom. É o momento de sufocar a bailarina. Ela tenta escapar de sua morte iminente dando pulinhos, enrolando sua língua, prendendo as cordas de sua laringe. Mas, não dá certo. O homem emite um olhar de culpa. Desculpa. Oculta. A bailarina perde as forças.
Sua risada era escandalosa. Surgia em momentos inoportunos. Rompia regras seculares. Terminava conversas unilaterais. Era motivo de constrangimento. Mas, sua risada era verdadeira. Em todos os momentos, verdadeira. Em todas as situações, verdadeira. Para todos os presentes, verdadeira.
Sua risada era pura. Era uma lufada de ar de um campo inexplorado, era a expressão máxima da arte de rir. Era sincera, simplória, era quase medíocre. Era uma risada infantil. O seu humor era infantil, ria por piadas bobas, ria por caretas engraçadas, ria por estar alegre em um dia qualquer. Só não ria por causa de acidentes, nem por momentos tragicômicos. Não.
Sua risada era alta, aguda, sopranino em uma ópera alemã. Machucava os tímpanos de quem estava ao seu lado, irritava os cães da casa em que estivesse. Ele não a percebia assim. Percebia-a como uma dança sincronizada pela deixa de seus companheiros, um ritmo de jazz. Sua alma contrastava com a expressão de seu sorrir, era um blues, era um tango argentino, era um turbilhão artístico, um autorretrato de Van Gogh.
O som de conversa volta a reinar no ambiente. O efeito de sua risada passou. Ele levanta e vai até o piano. Desafoga sua sensibilidade nos espaços brancos e negros que vão ao encontro de seus dedos esguios. Desvario.
Mozart.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Vinte e cinco: Ao som de Baynton

Sobre as folhas secas, Dora caminha. Alinhada em sua reta imaginária, feliz por conquistar o seu primeiro amor.
A dor em seu peito não é mais de agonia, é de alegria. Explosiva alegria que não encontra espaço para se expandir em seu pequeno coração.
Dora, a menina morena de laço de fita, ouve os sons da floresta pela qual passa em seu dia de folga. Para. Ouve um pássaro cantar ao longe em busca de comida, frustrado pela inspeção minuciosa que os seus colegas de trabalho fizeram antes dele.
Dora sorri. Passarinho bobo! Quem precisa disputar por comida quando está cercado por ela? Talvez, o mundo, Dora. Talvez, as pessoas que são definhadas em algum país anônimo pelo sistema oculto que rege a economia. Paranoia.
Dora volta a caminhar. Seu corpo está ficando mais leve a cada passo que dá  na floresta de outono. Respira o ar e percebe o cheiro de folhas, o cheiro de madeira, o cheiro de amor. O seu, perfume almíscar, nota de livros velhos ao fundo, Schopenhauer, Goethe. A nota de saída é um leve tom de óculos tortos, sorriso enviesado. Mas, o que carrega o tom do perfume é a sensibilidade exacerbada, violinos no fone de ouvido, passeios no Tomie Ohtake.
Cheiro bom para Dora e para os pais dela.
A menina olha para os seus pés pela primeira vez no dia. Dora não costuma encará-los sempre, pois os seus olhos castanhos estão sempre refletindo o azul do céu, buscando formas racionais nas nuvens, procurando um pôr do sol rosado ao longe, nas montanhas que dão para a praia. Percebe que a reta traçada pela sua mente está se desviando em curvas. Seus pés lhe parecem molhados agora... Dora encontra um riacho.
Cascalhos. Peixes. Água transparente que espelha uma menina baixa, morena, cabelos curtos e sorriso estático. Uma pintura rococó. Porém, Dora quer ser traçada por Dalí. Surrealismo para fugir da realidade. Cidade?
Dora bebe a água e volta pela trilha anterior... Sai da floresta. Realidade, cidade.
Entra em casa.
"Como foi o seu dia?"

sábado, 22 de abril de 2017

Vinte e quatro: Registros antecipados de uma noite passada

Uma médica, uma psicóloga, dois engenheiros, um ator, uma historiadora e vários, vários programadores. Com eles, uma jornalista. Encontram-se na estação de metrô para comemorar o aniversário, antecipadamente, da garota pequena que os uniu.
A jornalista está com receio de conhecer tantas pessoas diferentes. Um dia antes, ela escreveu sobre vestibular. Dois dias antes, ela fez um trabalho de maiêutica. Um mês antes, ela estava descobrindo a faculdade. Um ano antes, ela estava triste por seu primeiro fracasso. Dois anos antes, ela estava no fim de um ciclo.
Os amigos de sua amiga sorriem para ela e perguntam-lhe o nome. Ela responde. "Olá", disseram, "Prazer em conhecer".
Sim, a jornalista pensa, realmente fico contente por conhecer tantas pessoas. Rever os múltiplos profissionais. Conhecer os inúmeros programadores. A sua profissão lhe exigirá ouvir o próximo, dar voz a ele, conhecer novos lugares, conhecer novas visões de mundo. Conhecer o mundo. A jornalista se enche de coragem, respira, transpira, inspira, suspira. Coragem.
A noite passa. Conversas, piadas, diálogos cruzados com linhas tortuosas, as quais sempre passam por todas as cadeiras habitadas em uma mesa de lanchonete. O conhecimento superficial, as impressões de alguém, as salpicadas de debates polêmicos que todos os jovens gostam de discutir e se acham plenamente entendedores de seus truncados pontos. O desvio na estrada insuflada pelo gigante rubro rumo a um caminho neutro, flicts.
As barrigas cheias. O início do cansaço. "Que horas você vai embora?", "Quanto tempo leva para chegar até em casa?", "Quer ir comigo?".
Despedidas.
A médica parte com sua impressão de que os corpos são frágeis para tanta comida gordurosa e por tanta bebida corruptora de neurônios que foi ingeridos nas horas passadas. Quantos pacientes terá quando seus companheiros de festa completarem os fatídicos 50 anos?
A psicóloga parte com os perfis subjetivos dos que compartilharam com ela uma noite festiva. Separa em sua mente aqueles para quem trocará mensagens nos outros dias, afim de auxiliá-los a terem mais autoestima, mais amor próprio. Classifica as pessoas em patologias sentimentais. Psicopatas, depressivos, arrogantes, indiferentes... Será que são assim?
Os engenheiros partem trocando informações. Não são sistemáticos por completo, não. Pensam em estruturas ideais que se encaixam com as personalidades presentes.
O ator terminou mais um espetáculo. Acredita na frase de Shakespeare. Ou será que acredita na releitura da mesma ideia feita por Charles Chaplin? Os seus modos tragicômicos aproximam-lhe de Carlitos, parte da festa com diversos trejeitos de seus companheiros que usará nas suas próximas apresentações.
A historiadora entristece-se por sua condição de avaliar o passado e não o presente, nem o futuro. Adoraria registrar intensamente os pontos altos de seu encontro com os amigos. Suplica por viver muito tempo e, assim, tornar-se testemunha viva dos hábitos juvenis do século XXI.
Os programadores, dentre eles a aniversariante, pegam as necessidades últimas dos seus amigos para facilitar-lhes a vida por meio de sistemas binários. O um e o zero são-lhes essenciais. Mas, as pessoas são mais do que dois números, são permutações complexas do sistema decimal do Ocidente predominante. Partem com a promessa de se verem na segunda-feira.
Sobra a jornalista. Enquanto vê seus amigos e mais novos colegas indo embora, eufóricos, contentes, cansados, mudados por uma nova experiência, ela registra tudo o que ocorreu naquela noite de sábado. Suas ações são factuais. Não terão valia em um futuro distante. Porém, mesmo assim, ela registra aquele momento único e que não mais voltará da mesma forma que viveu naquelas horas.
Vai embora.

sábado, 8 de abril de 2017

Vinte e três: Tsubasa


Uma das regras da minha mãe é não esperar do outro o que a gente quer que ele faça. Eu cresci ouvindo isso, principalmente, quando eu brigava com minhas amigas na escola por coisas bobas. Por repetição, eu internalizei essa regrinha em mim, porém, ainda não consigo por completo segui-la. Mas, eu tento sempre que posso coloca-la em minha rotina.
O outro não observa e interpreta o mundo como você. Por isso, não pode entender absolutamente o que você espera dele e fazer tudo o que você deseja que ele faça.
Além disso, o outro possui seus próprios valores, suas opiniões, seus estigmas, seus objetivos individuais. Dessa maneira, ele constrói seu universo particular e encaixa o ambiente a sua volta nele, fazendo aquilo que lhe convém.
Contudo, nem por isso, o outro tem que estar alheio a sua opinião. Mas, não tem que sempre segui-la. Nem por isso, o outro não pode ser gentil e fazer coisas por você, abandonando o egoísmo. Mas, não deve também viver por você, girando ao seu redor.
O importante é o equilíbrio. Se você é o outro, balancear entre fazer coisas por você e para você e ajudar as pessoas a sua volta. Se você é aquele que, assim como eu, ainda espera que o outro faça coisas, as quais você acha que ele deveria e poderia fazer, não espere. Se você continuar assim, só trará sentimentos ruins para o seu coração, pois ele se encherá de decepção e rancor.
Liberte a alma alheia. Liberte a sua alma também.
Não espere. Você não controla o que o outro pensa, faz, sente ou como age, tudo bem?
Beijos açucarados.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Vinte e dois: Arthur

Imagem de Fanpop

Bonjour, mon ami!
Essa música encantou o meu coração desde a primeira vez que a escutei. Foi quando eu tinha entre 8 e 9 anos, época em que o desenho Arthur era transmitido pela TV Cultura na hora do almoço. Eu comecei a assistir ao desenho por conta de um clipe musical dele em que os personagens brincavam com a história do Médico e o Monstro (um dos meus livros favoritos do mundo inteiro). Daí pra frente, Arthur foi me conquistando com suas histórias divertidas e com a sua música de abertura com letra especial...
Quer lê-la?
Arthur
Cada dia em que se anda por aí
Cada um que a gente vê
Tem algo original pra dizer
Eu digo: Hey! Tá na hora de perceber
O lindo dia que vai nascer
E se aceitar e conviver
Deixa que venha a emoção
Tudo o que sentir
No ritmo das ruas
Agora e aqui
Abra bem os olhos e o coração
Vamos juntos viver melhor
Sem brigas nem guerras
O recado é simples,
Porque vem do coração,
Confio em você
Pra tudo começar...

Depois, o refrão é repetido até que o Arthur diz pra sua irmãzinha: "Oi, DW" e cai. Então o desenho começa!
Eu queria compartilhar com vocês essa música que eu sempre achei uma pérola preciosa, porque ela fala de muitas coisas boas, como amor próprio, paz, perceber e valorizar os dias da nossa vida... Ou seja, mais uma vez, os desenhos trazem valores positivos para nós.
Gostou da musica, petit?
Beijos açucarados.

sábado, 1 de abril de 2017

Vinte e um: Redescobrindo a positividade dos anos 2000

O desfoque não estraga o fato de que O Pequeno Urso é um dos meus desenhos favoritos e que eu precisava coloca-lo aqui.
Bonjour, ça va?
O título parece meio estranho para a proposta inicial dos capítulos, não é? Afinal, não nos diz sobre fotos, natureza, reflexões, pontinhos de luz em nossa rotina... Será mesmo?
Quem foi criança nos anos 2000 levante a mão! o/ Sim, eu, com meus 19 anos, fui criança quando o Furacão 2000 estava em alta nas festinhas de aniversário da turma do colégio, quando o Gugu trazia pro palco os remanescentes grupos de pagode dos anos 90, quando a gente queria ter um celular de abrir e fechar rosa com strass e, finalmente, quando os piercings no umbigo eram o it da moda.
Parece bizarro, caro leitor com menos de 14 anos? Bem, estou contente por não ter nascido no famigerado anos 80!
Enfim, mas eu introduzi, só que de nada adiantou. O que fala o capítulo de hoje?
Sobre desenhos animados, é claro! O que eu mais fazia quando criança era assistir aos desenhos que eram transmitidos tanto em canais abertos quanto em fechados, antes de ir pra escola à tarde e depois, geralmente na tv paga. Contudo, por que falar sobre isso agora?
Porque, recentemente, eu descobri o poder transformador dos desenhos. Deixe-me explicar melhor...
Os desenhos são construídos para ajudar os pais e a escola a educarem as crianças e plantar nelas a sementinha de tudo o que há de bom no mundo. Por isso, os desenhos nos ensinam bastante a como agir dentro de nossas vidas, priorizando o amor, a bondade, a perseverança, a coragem, a solidariedade, a consciência do coletivo, a positividade... E também reforçam a não mentir, a não prejudicar o outro, a não contar vantagens, enfim, partes ruins que, infelizmente, cometemos e normatizamos normalmente.
Os desenhos são construtores de caráter e me ajudam a me melhorar sempre e sempre. São um modelo para que eu continue a ser uma boa garota, contudo, forte e corajosa, lutando para mudar as pessoas ao meu redor e para enxergar os pontinhos luminosos no meu dia a dia.
Os desenhos são terapêuticos para mim. E para você?
Comente o que acha!
Beijos açucarados.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Vinte: A fenda temporal e o sarau faérico

Ilustração de Racey Helps
Bonjour, mes amis!
Sim, eu sei que eu sumi por um bom tempinho (mais ou menos duas semanas) e que o blog ficou congelado no tempo, preso em uma fenda temporal que dá voltas e voltas em torno de flores e cidades do interior de São Paulo, contudo, quero me desculpar agora por isso.
Felizmente, assim como anunciei para vocês em capítulos anteriores do La Petite Souris, eu ingressei na universidade nesse ano, faço jornalismo pela manhã na USP. A experiência está sendo bem impactante no meu universo particular, pois os novos caminhos que o início da vida adulta traçam em meu coração são cheios de novas pessoas a se conhecer; matérias e modos de dá-las diferentes do que eu estava acostumada; um lugar ENORME, GIGANTESCO a ser explorado e aproveitado; um caminho longo que corta a cidade de ponta a ponta, enfim, diversas coisinhas singulares em si mesmas e que, a cada dia, fixam-se em mim e me transformam de uma maneira boa.
Por conta dessa virada grandiosa em minha rotina, o blog se distanciou dos meus objetivos diários principais e eu peço desculpas aos que o acompanha sempre. Prometo que, em finais de semana, deixarei matérias prontas para serem liberadas às terças e sábados como era de costume e que o Facebook será a coluna sustentadora do nosso diálogo, ça va?
Enquanto escrevo esse capítulo, tenho a sensação de participar de um sarau faérico em meio às florestas por conta das músicas lindas que a senhorita Michelle, dona do blog Daughter of the Woods, compôs. Recomendo a todos para, quando terminarem de ler aqui, abram a janela para a delicadeza da voz dela :3
Por enquanto é isso, mes amis. Desejo a todos uma semana maravilhosa!
Beijos açucarados.

sábado, 11 de março de 2017

Dezenove: Flores da Serra

Salud, ça va?
Como o último capítulo foi bem grandinho, pois tive que explicar também o nosso passeio de aniversário, além de colocar as fotos que tirei dos lugares de Serra Negra, decidi fazer um capítulo a parte para as flores lindas que encontrei no interior de São Paulo.
Algumas fotos podem ser encontradas no meu Instagram (@brunadisero), aquelas que não foram compartilhadas aqui com vocês, mes amis, pois a posição da câmera do celular não ficou favorável para deixar o capítulo esteticamente bom.
Se vocês sabem o nome das flores que aqui colocarei, adoraria que me dissessem, porque eu sou a maluca das flores que só sabe fotografá-las e nem pesquisa o nome delas... Que vergonha!
 Flor vermelha para espalhar amor por aí.

 Ai, Sol enxerido!

 Comuns, mas lindas do mesmo jeitinho.

 Uma cascata vermelha.

 As plantas também são lindas para serem fotografadas, não é? Essa confusão de beleza e cores foi registrada em Lindoia.

 Olha as gotas de chuva banhando a margarida acima, que amor.

 Fiquei tão contente por fotografar o insetinho dentro da flor, polinizando-a!

Eu adoro flores que ficam nas árvores. Essa amarela está na unidade Serra Negra.
Vocês gostam de flores? Eu as amo!
Beijos açucarados.

terça-feira, 7 de março de 2017

Dezoito: A candidata serrana para ser o meu lar

Bonjour, mes amis!
Ontem foi o meu aniversário de 19 anos e, como essa data especialíssima para mim caiu em uma segunda-feira, eu e meus pais decidimos comemorar mais um ano de vida no sábado passado, dia 04. Fomos em um lugar que conquistou o meu coração em julho do ano passado, nas férias de inverno, a cidade do interior de São Paulo chamada Serra Negra, conhecida por ficar no Caminho das Águas, pois é pertinho de Águas e de Lindoia.
Quando eu fui lá pela primeira vez, não conhecia nada e me encantei pelo clima interiorano, pelas lindas lojinhas e casas, pelo ar menos poluído em comparação a capital e pelos vasos de flores que enfeitam a fachada das residências serranas. Então, em 2017, quando eu precisava decidir para onde ir no meu aniversário, não pensei duas vezes e escolhi Serra Negra!
Essa placa foi encontrada em um bookcafé da cidade. Eu me apaixonei logo que a vi e então tirei foto.
Mas, não fomos para lá diretamente, não! Primeiro passamos na AFPESP de Lindoia matar a saudade desse cantinho maravilhoso. Era de manhã, porém, já sentíamos o cheiro do almoço sendo preparado e, confesso, minha boca se encheu de água! Passeamos por lá, visitamos a fazendinha e eu tirei muitas fotos de flores (que ficam para outro capítulo), ou seja, foi tudo muito bom.
Então, seguimos para a AFPESP de Serra Negra, pois nunca fomos lá e queríamos visitar. Os prédios do hotel eram bem mais bonitos do que eu imaginava, nos deu vontade de se hospedar já, mas deixamos a exploração para quando de fato nós ficássemos hospedados.
Essa é a Boneca. Ela é uma égua nova que foi comprada para a unidade de Lindoia e já estava bem a vontade com o seu novo lar, como vocês podem observar, hehehe.
A unidade de Serra Negra é assim! Tanto em Avaré quanto em Lindoia, nós ficamos hospedados em chalés, então os prédios de Serra Negra são novidades para a gente. Em um futuro não tão distante, com toda a certeza, aproveitaremos esses apartamentos.
Como já estava terminando a manhã, partimos para o centro de Serra Negra e, ah, que alegria foi! Eu adoro ver as lojas, o que foi a nossa primeira atividade. A cidade é repleta de bancos fofos para as pessoas que estão fazendo compras se sentarem e descansarem, além de postes de luz com vasos de flores na ponta e carrinhos com bichos de pelúcia dentro para as crianças darem uma volta na praça principal.
As fotos abaixo, eu tirei no ano passado, mas valem pela viagem desse ano, já que fomos na Casa dos Ursos novamente. Essa é uma chocolateria tradicional de Serra Negra e que funciona como ponto turístico, pois a decoração é lindinha. A fantasia nos informa que são os ursinhos que preparam os chocolates artesanais vendidos lá, chocolates deliciosos e com sabores bem diversificados que me fizeram voltar quando tive a oportunidade.

Outro ponto turístico de Serra Negra é o Teleférico que leva as pessoas para o Cristo Redentor da cidade. Para entrar, nós temos que passar por uma praça com muitas lanchonetes e que também fica perto da Rodoviária. Ficamos por lá mesmo, porque achamos o preço do Teleférico caro para ser um carrinho de uma pessoa só (15 reais), porém, foi adorável sentar, descansar e ver os moradores se divertirem no sábado de sol da cidade.
Detalhes da Pracinha do Teleférico.
Depois fomos às compras! Ewee! Comprei chips de provolone que são bem mais baratos lá do que aqui na capital, chocolates da Casa do Urso e visitamos o mercadinho (adoro mercadinhos) para comprar água. As compras migraram de Serra Negra para Lindoia e então, cansados e com fome, fomos para Bragança Paulista para comer um lanchão de linguiça tradicional da cidade e então voltar para São Paulo.
O passeio foi incrível, muito adorável, o sol contribuiu muito para as fotos ficarem lindas e para nos divertirmos bastante. Com certeza esse dia ficou guardado para sempre em meu coração e fez com que o Jogo do Contente fluísse sem que eu me esforçasse para isso.
Obrigada por ler esse capítulo alegre e agradecido.
Beijos açucarados..