sexta-feira, 30 de junho de 2017

Trinta e três: Em uma noite estrelada de verão

Bonjour, ça va?
O capítulo de hoje é sugestão da querida miss Bia que me indicou continuar o texto três no capítulo trinta e um do La Petite Souris. Espero que todos gostem :) e se quiserem, mandem sugestões de temas para as próximas histórias ou capítulos do blog pelos comentários!
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As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca. Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem.
Ana aproximava-se de onde eu estava sentado. Era um banco branco de madeira que ficava perto do lago dos patos no parque central de nossa cidade. Estava lá há algumas horas, esperando-a. Havíamos combinado às duas da tarde, era cinco.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Trinta e dois: Há dois passos

Ilustração de Beatrix Potter
Havia duas pessoas que conversavam. Os dois se conheciam há anos, eram da mesma família. Um era membro de verdade. O outro, agregado. Ambos não se davam conta de suas posições dentro da instituição.
Um era moreno. Olhos azuis. Gabava-se do fato, já que alguns de seus irmãos não possuíam o gene que possibilitava possuir o céu no olhar. Na verdade, seus olhos eram mais como o céu que antecede uma tempestade. Eram azuis escuros, fulminantes. Zeus teria seus olhos se os gregos tivessem utilizado uma tinta mais duradoura.
O outro era calvo. O pouco de cabelo que cingia suas orelhas felpudas era branco já. Aquilo que se destacava em seu rosto, entretanto, não era a calvície e nem as orelhas de Rapunzel. O que mais chamava a atenção era o seu nariz. Alguns diriam que o seu formato era adunco. A bem da verdade, o seu nariz parecia uma letra L no meio da cara. Um L gigantesco, cheio de porosidade e batatudo. Quando ria, parecia que seu nariz era uma dançarina do ventre robusta.
Os dois conversavam. Já se conheciam há anos. O Outro havia carregado o Um no colo quando Um era bebezinho.
Nesse instante, um e outro não se respeitavam mais. Ninguém lembrava dos dias de infância de Um. Ninguém se lembrava de como Outro era ótimo em pife, mas sempre deixava que Um ganhasse para ficar contente.
Eles estavam brigando. O motivo já havia se perdido com tantas ofensas trocadas, tantos olhares raivosos e pequenas gotículas de saliva disparadas no calor da língua chicoteando. O tiro em Sarajevo era algo irrelevante quando os ânimos já estavam exaltados há muito tempo.
Um e outro haviam se desentendido por causa de futebol.
Há motivo mais brasileiro do que o futebol? Talvez, Caim fosse palmeirense e Abel, corintiano. Quem sabe Troia e Grécia fossem nomes de torcidas organizadas da Antiguidade? Tudo seria possível se Caim, Abel, Troia e Grécia tivessem nascido em solo tupiniquim.
Um e outro brigavam por causa de um título mal resolvido. Quem ganhou? O meu time ou o seu?
Atritos. As pessoas que estavam ao redor trocavam olhares. Afastavam qualquer coisinha de perto de um e outro: cadeiras, mesa, bibelôs, clipes de papel... Sabiam que quando o assunto era futebol, o melhor a se fazer era esperar a poeira abaixar.
A rusga estava se arrefecendo. As mãos paravam de girar em 180º e começavam a se balançar na direção de um e outro, prontas para um abraço ou mesmo um aperto de mão. Os olhos, tanto o castanho sem graça de outro quanto o azul faiscante de um, começavam a desviar a rota direta e fulminante. As vozes desciam três tons e já não espirrava mais as gotículas de saliva de seus lábios.
Estava quase terminando.
Um e outro aceitaram que o título de 19** havia sido de Outro. Deram-se as mãos. As lembranças antigas voltavam, o pife, a infância de um...
Fim da briga. Fim da festa.
Fim do encontro.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Trinta e um: Textos inacabados... Quer que eu termine algum?

Bonjour, ça va?
Como todas as pessoas que adoram escrever, eu tenho, em minha gaveta de cabeceira, um caderninho com diversos textos inacabados. Por falta de inspiração, por falta de tempo, por falta de vontade. Infelizmente, textos que poderiam se tornar grandes obras da literatura (hihihi) estão guardadinhos entre capas rosas com estampa de coelhinho.
Porém, decidi compartilhá-los com vocês hoje. É a sua tarefa me dizer qual, entre três, devo desenvolver no próximo capítulo.
Vamos lá?
TEXTO 1
"O vento lá fora está tão forte que chega a uivar. A tempestade chegou. Aqui, ela anuncia os dias de sol que se fazem permanentes no verão e ilumina a alegria dos habitantes da Terra.
A tempestade durará a noite inteira, já é sabido. Os pingos grossos de chuva baterão nas plantas, curvando-lhes as folhas, penetrando no solo e alimentando suas raízes, assim, permitindo-lhes ganhar forças e viver.
Os animais, assustados, escondem-se velozmente a fim de protegerem seus pelos, penas e carapaças da inundação a porvir. O senhor Afonso..."
TEXTO 2
"Os arabescos azuis consomem minha paciência. Curvas intercaladas por círculos que se unem formando uma flor. Duas. Três. Quatro. O plano acaba. O sino toca.
Há dois dias eu não durmo."
TEXTO 3
"As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca.
Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem."
E então, mes amis? Qual devo desenvolver?
Beijos açucarados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trinta: Um lugar que chamarei de lar

Ilustração não identificada após pesquisa no Bing


Bonjour, ça va?
Estava olhando a lista dos blogs que eu sigo, nessa semana, quando percebi a coincidência de dois deles (queridíssimos para mim) tratarem do mesmo tema: o ambiente ideal para chamarmos de lar. Esse tema me chamou a atenção de tal maneira que decidi aborda-lo aqui também. Qual ambiente eu sonho como ideal para instalar o meu lar?
Bem, comecemos então.
A minha casa seria térrea e formada em sua maior parte por vidros grandes. Adoro a sensação do sol se levantando pela manhã e banhando o chão de madeira aos poucos. Quando era pequena, gostava de brincar de acampamento dentro do nosso apartamento e, às vezes, quando a cortina estava para lavar, a janela ficava vazia e trazia a luz da manhã para a sala aonde eu estava. Era uma sensação maravilhosa.
As cortinas floridas e com xale por cima apenas emoldurariam a minha visão. A coisa mais rica que eu teria seria uma cortina na cozinha, coisa que eu nunca me lembrei de ter.
Uma sala bem grande, uma sala de jantar, um banheiro, uma cozinha grande também estariam no térreo. No andar superior, quatro quartos, porque quero ter três filhos, uma sala de estudos e uma biblioteca. A biblioteca deverá ser grande para abrigar os nossos infinitos livros.
Uma escada em espiral que conecte os dois mundos. Ficaria cheia de folhas e frutinhas perto do Natal para atrair o bom velhinho.
Ambientes decorados com o que enche de alegria o meu coração. Muitos quadros com os meus bordados e um painel para os desenhos das crianças. Vasos com flores da estação em todos os lugares, baús nos quartos para guardar as lembranças de cada um, bibelôs que nos lembre de momentos felizes. Uma estante na cozinha que guarde a minha louça e panelas. Um fogão enorme que caiba um chester também grande no Natal e qualquer outra comida que eu queira fazer. Cestas com cobertores mais finos para usar na sala nos dias de inverno.
Coisas assim.
Um jardim na frente com flores que se abram em diferentes estações. Um caminho para chegar a porta da casa.
Atrás, um ambiente mágico. Mais um jardim, dessa vez com uma horta junto com plaquinhas indicando cada planta. Uma mesa com cobertura para sempre comermos quando os dias estiverem com um clima bom, a noite e de dia. Um caminho que leve a um ambiente de lazer com balanço, pufes, mesinha de centro que seja o apoio do livro do mês, além de guloseimas para encher o tempo que se estenderia pela eternidade.
Acho que esse texto está ficando um pouco extenso. Paro por aqui.
E você, como gostaria que sua casa fosse?